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  20:31

Vereadora presa por lavagem de dinheiro movimentou R$ 2,8 milhões ao longo de mais de um ano, aponta PF

As movimentações suspeitas de lavagem de dinheiro identificadas na conta bancária da vereadora de Piripiri Nalvinha Melo (PDT), foram realizadas entre fevereiro de 2025 e maio de 2026, segundo relatório da Polícia Federal obtido pelo g1. Mais de R$ 2,8 milhões foram movimentados no período.

De acordo com a investigação, as movimentações são consideradas atípicas e incompatíveis com a renda de R$ 16 mil declarada pela vereadora.

Nalvinha Melo foi presa presa em flagrante em 24 de junho, em uma agência do Banco do Brasil em Piripiri, logo após sacar R$ 500 mil. A defesa informou que o valor seria usado na compra de um imóvel e que a origem e o uso serão comprovados na Justiça (veja nota). Ela está em liberdade provisória.

Segundo a Polícia Federal, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), aponta que a vereadora tem ligação com oito empresas que apresentam "séries de transações suspeitas".

Do total, estão ativas quatro empresas - duas sediadas em Piripiri e duas em Fortaleza (CE). A Justiça suspendeu, durante a investigação, as atividades econômicas de Nalvinha Melo nessas empresas.

"Tais empresas, na ótica da inteligência financeira robusta contida no RIF, são relacionadas e apresentam séries de transações suspeitas, indicativas de dissimulação e potencial ocultação de capitais de origem pública", diz trecho do relatório da PF.

A Polícia Federal indica que grande parte do dinheiro recebido por Nalvinha Melo é proveniente de uma das empresas, da qual ela é sócia-administradora.

Essa empresa recebeu cerca de R$ 14,3 milhões em pagamentos de 12 municípios do Piauí, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte entre 2022 e 2026.

A Polícia Federal apura se houve desvio de verbas públicas em contratos municipais.

Indiciada por lavagem de dinheiro 

Nalvinha Melo foi indiciada por lavagem de dinheiro após ser presa em flagrante com R$ 500 mil em dinheiro vivo, em uma agência do Banco do Brasil, em Piripiri. A prisão ocorreu depois que o Coaf alertou a polícia sobre o saque.

"A justificativa apresentada de utilização de numerário em espécie para transação imobiliária de alto valor reforça a suspeita de lavagem de capitais, dada a deliberada escolha por meio de pagamento que dificulta a rastreabilidade financeira", informou a PF.

Com a vereadora, os agentes apreenderam o dinheiro em espécie, comprovantes bancários e um celular, do qual a polícia pediu a extração de dados.

Medidas cautelares e liberdade 

Após audiência de custódia na quinta-feira (25), a vereadora obteve liberdade provisória mediante pagamento de fiança de R$ 20 mil.

A Justiça impôs medidas cautelares que devem ser cumpridas por Nalvinha Melo:

  • Comparecimento à Justiça a cada dois meses;
  • Proibição de sair de casa sem autorização;
  • Proibição de manter contato com pessoas definidas pela investigação;
  • Suspensão das atividades econômicas exercidas pela investigada nas empresas em que é sócia ou administradora.

Nalvinha Melo assumiu o mandato na Câmara Municipal de Piripiri em agosto de 2025. Ela entrou na vaga após a convocação de suplentes, depois da cassação de outros vereadores.

Nota da defesa

A defesa já atua no caso e, neste primeiro momento, obteve a concessão da liberdade da investigada, por reconhecer o Poder Judiciário a ausência dos requisitos que justificassem a manutenção da prisão cautelar.

Cumpre destacar que a realização de saque de vultosa quantia em espécie, por si só, não constitui fato típico previsto no ordenamento jurídico brasileiro, não sendo suficiente para caracterizar qualquer ilícito penal.

No momento processual oportuno, a defesa demonstrará judicialmente a origem lícita dos valores, bem como a licitude de sua destinação, a qual, inclusive, foi previamente informada quando do provisionamento e da movimentação dos recursos.

A defesa confia que, ao final da instrução, ficará plenamente comprovada a inexistência de qualquer prática criminosa, reafirmando seu compromisso com o respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e ao pleno exercício do direito de defesa.

Fonte: G1

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