Um caso inusitado e chocante, pela capacidade do ser humano de ser ambicioso, ocorrido em 2019 na Bahia, voltou ao noticiário esta semana. O servidor público federal Vanderley dos Santos Gomes teve um recurso contra sua condenação negado pela Justiça da Bahia. Ele havia sido condenado em maio de 2025 a 720 horas de prestação de serviços comunitários e ao pagamento de prestação pecuniária no valor de R$ 7.590.
Servidor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e morador da cidade de Amélia Rodrigues (BA), município com pouco mais de 24 mil habitantes, Vanderley foi condenado após tentar fraudar empresas de seguros, amputando o próprio pé para tentar receber uma indenização de R$ 1,5 milhão. Ele simulou um sequestro para cometer o criem contra si mesmo.

O CASO
Segundo relato do condenado, em 9 de agosto de 2019, ele teria embarcado em um ônibus na cidade de Feira de Santana com destino a Cruz das Almas para visitar um amigo. Ao chegar à rodoviária, o amigo não apareceu para buscá-lo. Sentindo dores, ele foi a uma unidade de atendimento próxima. Como não teria sido atendido, seguiu a pé para a casa do amigo, sendo abordado por dois homens em um carro preto. Os homens, usando arma de fogo, o obrigaram a entrar no carro. Disse ter sido agredido e que teve de entregar cerca de R$ 2 mil, celular e outros pertences.
Vanderley foi encontrado no povoado de Mercês, zona rural do município de São Gonçalo dos Campos, já com um dos pés cortado, segundo ele, pelos supostos sequestradores. Ele foi socorrido e levado ao hospital da cidade. Dias depois, deu entrada nos pedidos de indenização dos seguros que havia contratado dias antes.
Os contratos firmados
- 17 de junho de 2019, no valor de R$ 200 mil;
- 19 de junho de 2019, no valor de R$ 400 mil;
- 29 de junho de 2019, no valor de R$ 800 mil;
- 04 de julho de 2019, no valor de R$ 100 mil.
AS MENTIRAS
Segundo as investigações, as versões do acusado não se sustentam e, sem trazer detalhes do que realmente aconteceu, a polícia e a Justiça entenderam que Vanderley se automutilou. O pé foi encontrado dentro da mochila dele, a cerca de 350 metros do local.
Os juízes do caso consideraram "ilógica" a versão do réu, pois ele mesmo disse não ter inimigos e nenhum resgate foi solicitado.
O inquérito também não conseguiu extrair da suposta vítima nem mesmo qual objeto teria sido utilizado pelos supostos criminosos para o crime, se um facão, serra ou foice.
Para os juízes, causou estranheza o fato de um servidor com salário de R$ 3.564,51, como técnico-administrativo da UFRB, ter contratado quatro seguros de vida simultâneos apenas seis semanas antes de perder o pé.
A pena começou a ser cumprida em maio deste ano. O condenado tentou levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não conseguiu, o que fez o caso voltar a repercutir.



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