Entre no
nosso grupo!
WhatsApp
  RSS
  Whatsapp

  17:52

 Vista parcial da cidade de Campo Maior. Foto: Reprodução

O município de Campo Maior, a 84 km ao norte de Teresina, completa 264 anos neste sábado (8) com uma programação tímida, que tem passado quase despercebida, a não ser pela parte das atividades religiosas e de fé. Segundo o prefeito João Félix, não houve festa pública porque as bandas têm cachês altos, e o município só pode contratar atrações de até R$ 300 mil. E é pouco?

A programação institucional começou ontem, sexta-feira (7), e seguem até domingo (9).

A programação teve início na sexta-feira com a inauguração do Ginásio Poliesportivo “O Manelão”, na comunidade Água Fria. Por lá teve a cerimônia oficial de abertura, apresentações de dança e capoeira, entrega de materiais esportivos e homenagens. À noite, a programação seguiu com apresentações de artistas locais.

Neste sábado, data oficial do aniversário, as atividades começaram pela manhã com o hasteamento das bandeiras e uma missa em ação de graças, na Catedral de Santo Antônio. A programação volta para a zona rural do município com início do Torneio de futebol de salão no Povoado Água Fria.

Ainda neste sábado, será realizada uma sessão solene em homenagem ao aniversário da cidade e à instalação da Câmara Municipal. 

As comemorações serão encerradas no domingo (9), com a final do Torneio Manelão e a entrega da premiação, novamente na comunidade Água Fria.

A sede do município se resumiu a ter o hasteamento da bandeira, missa e uma solenidade na câmara de vereadores. 

ANIVERSÁRIO SEM BOLO, NEM PARABÉNS

OPINIÃO DO EM FOCO

Imagine seu aniversário em que ninguem lhe dar parabens? Nem tem nem um bolo de goma? pois é o aniversário da Histórica Campo Maior.

Ao explicar a ausência de uma festa pública, o prefeito João Félix afirmou que os cachês cobrados por grandes atrações musicais são elevados. Durante sua justificativa, citou valores de artistas como Seu Desejo e Wesley Safadão, cujo cachê, segundo ele, ultrapassaria R$ 1 milhão. O prefeito também afirmou que não poderia realizar uma contratação desse porte porque o Tribunal de Contas poderia reprovar suas contas.

O próprio prefeito, no entanto, mencionou que o Tribunal de Contas permite contratações de atrações com cachês de até R$ 300 mil, o que abre espaço para uma única pergunta para a gestão não promover nenhuma programação popular na cidade: Joãozinho, você tem ideia do que são R$ 300 mil?

Não é necessário contratar Wesley Safadão, Seu Desejo ou qualquer outra atração nacional de cachê milionário para proporcionar uma festa de aniversário à população de Campo Maior.

Campo Maior tem músicos, bandas e artistas locais. Muitos deles certamente poderiam ser contratados por valores de R$ 3 mil ou R$ 4 mil, por exemplo. Com R$ 300 mil, seria possível montar uma programação descentralizada, levando pequenas bandas e artistas de Campo Maior e região para diferentes bairros, praças e espaços públicos da cidade, até da zona rural do município.

Seria possível ter música em vários pontos da cidade ao longo do dia, movimentando os bairros, valorizando os artistas locais e permitindo que a população participasse das comemorações sem a necessidade de uma grande contratação nacional.

O mesmo raciocínio vale para o esporte. Se a opção da Prefeitura foi realizar torneios de futsal, por que concentrar a programação em uma comunidade distante da sede? Campo Maior tem atletas, equipes e quadras esportivas espalhadas pela cidade. Seria possível organizar jogos durante todo o dia em diferentes bairros, envolvendo mais equipes, mais atletas e, principalmente, mais moradores.

Não se trata de defender gasto irresponsável de dinheiro público. Trata-se de discutir as escolhas feitas para comemorar uma data tao importante para Campo Maior e para seu povo.

O problema, portanto, não parece ser apenas o valor do cachê de uma grande banda. A questão é a falta de vontade. Será apenas pelo fato de, neste momento, não poder mais aparecer no palco com seus candidatos, ou o locutor passar metade da noite citando o nome deles? 

Se há um limite de contratação estabelecido pelos órgãos de controle, trabalhe dentro do limite, prefeito. Ou nunca mais haverá festividade na sede do município? E R$ 300 mil são R$ 300 mil.

Por isso, a justificativa de que não houve festa por causa do Tribunal de Contas merece uma melhor reflexão de quem esperava vender sua misturinha, sua água, sua cerveja, fazer a sobrancelha e ganhar seu suado dinheiro.

No aniversário de 264 anos de Campo Maior, a população poderia ter recebido mais. E nem estamos falando de não ter uma única entrega coletiva nesta data, mas de uma programação popular mais ampla, sem necessariamente comprometer os cofres públicos com cachês milionários.

Não faltou recurso. Faltou vontade de fazer. 

Mais de Campo Maior