EDITORIAL: A divisão política do Brasil entre um suposto Nordeste lulista e um Sul bolsonarista precisa ser reavaliada pelos “cientistas” políticos de plantão. E, a alguns deles, este artigo aconselha uma volta à sala de aula para reaprender conceitos básicos de geografia, território, diversidade de pensamento, democracia e voto livre. Talvez assim parem de falar besteira e de tentar dividir um país inteiro por causa de eleição.
O mapa eleitoral e os resultados do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 mostram que há Lula e Bolsonaro em todo lugar. E a matemática derruba uma das narrativas mais repetidas nas redes sociais de que o Nordeste interferiu para a vitória ou derrota de candidato A ou B.
Bolsonaristas! Agradeçam ao Nordeste, viu? Ou a vaca já tinha ido para o brejo. Lulistas! Não contem só com o Nordeste. Não somos super-heróis.
VAMOS EXPLICAR PONTO A PONTO
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua sim amplamente majoritário no Nordeste. O presidente recebeu 21.494.584 votos na região, equivalentes a 63,77% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) obteve 10.398.973 votos, ou 30,85%.
A diferença ainda é grande, com Lula recebendo cerca de 11,1 milhões de votos a mais que Flávio nos nove estados nordestinos. Porém, isso está longe de representar unanimidade, muito menos autoriza o Sul ou qualquer outra região a culpar o Nordeste por qualquer resultado que venha a acontecer no segundo turno.
E aqui começa o problema dessa divisão preguiçosa do pensamento, ignorância dos fatos e essa criação colorida de um mapa, como se ele fosse unanimidade. Só para avisar que 10,4 milhões de nordestinos votaram em Flávio Bolsonaro. Eles deixam de ser nordestinos por isso?
NÚMEROS DO NORDESTINO
No primeiro turno de 2022, Jair Bolsonaro havia recebido 8.787.394 votos no Nordeste, correspondentes a 26,97% dos válidos. Quatro anos depois, Flávio chegou a 10.398.973 votos e 30,85%.
Na prática, o bolsonarismo acrescentou 1.611.579 votos no Nordeste, crescimento de aproximadamente 18,3% em números absolutos, e avançou 3,88 pontos percentuais na participação nos votos válidos.
No mesmo intervalo, Lula fez o movimento contrário. O petista tinha recebido 21.753.139 votos no Nordeste em 2022 e caiu para 21.494.584 em 2026. Foram 258.555 votos a menos, redução de aproximadamente 1,2%. Na prática, os mais de 1,5 milhão de votos acrescentados pelo bolsonarismo não vieram, em sua maioria, de uma mudança direta de votos de Lula, mas, talvez, de novos eleitores, de mudanças no comparecimento ou de eleitores que anteriormente escolheram outros candidatos.
A comparação percentual é ainda mais importante porque reduz a influência do crescimento do eleitorado e das diferenças de comparecimento entre uma eleição e outra.
Flávio Bolsonaro aumentou a participação do bolsonarismo nos votos válidos em todos os nove estados nordestinos. Lula, embora tenha aumentado o número absoluto de votos no Piauí, em Alagoas e em Sergipe, perdeu participação percentual nos nove estados.
Bahia e Ceará lideram crescimento em número de votos
Em números absolutos, o maior crescimento bolsonarista ocorreu na Bahia. Jair Bolsonaro havia recebido 2.047.599 votos (24,31%) no estado em 2022. Flávio chegou a 2.442.585 (28,53%) em 2026: 394.986 votos adicionais e avanço de 4,22 pontos percentuais.
No mesmo período, Lula passou de 5.873.081 votos (69,73%) para 5.664.771 (66,17%). Foram 208.310 votos a menos e queda de 3,56 pontos percentuais.
O Ceará aparece em seguida. O bolsonarismo saltou de 1.377.827 votos (25,38%) para 1.756.850 (31,27%), acréscimo de 379.023 votos e avanço de 5,89 pontos percentuais, o maior crescimento proporcional entre os estados nordestinos. Lula passou de 3.578.355 votos (65,91%) para 3.555.263 (63,29%). Perda de 23.092 votos, equivalente a uma queda de 0,65% no número de votos.
No Maranhão, Jair tinha 983.861 votos (26,02%) em 2022, enquanto Flávio alcançou 1.239.040 (30,90%) em 2026. Foram 255.179 votos adicionais. Lula caiu de 2.603.454 (68,84%) para 2.566.301 (63,99%). Perda de 37.153 votos, equivalente a uma queda de 1,43% no número de votos.
O fenômeno também aparece no Piauí, estado em que Lula continua tendo sua maior vantagem sobre Flávio no Nordeste. Jair Bolsonaro recebeu 406.897 votos (19,90%) em 2022. Flávio chegou a 517.028 (24,09%) em 2026, aumento de 110.131 votos e 4,19 pontos percentuais.
Lula, curiosamente, também ganhou votos no Piauí: passou de 1.518.008 para 1.523.710. Mesmo assim, sua participação caiu de 74,25% (2022) para 70,99% (2026). Em números totais, Lula ganhou 5.702 votos, mas o campo bolsonarista acrescentou mais de 110 mil.
O mesmo fenômeno ocorreu em Alagoas e Sergipe: Lula aumentou sua quantidade absoluta de votos, mas perdeu participação percentual, enquanto o bolsonarismo avançou.
Flávio venceu Lula em 30 cidades nordestinas
O mapa municipal também contraria uma interpretação do Nordeste como território eleitoral completamente uniforme.
Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado para presidente em 30 municípios nordestinos no primeiro turno de 2026.
Alagoas concentrou mais da metade dessas vitórias. Flávio terminou na frente de Lula em 16 municípios, inclusive na capital, Maceió, onde recebeu 52,36% dos votos válidos. Também venceu em cidades como Maragogi (57,34%), Marechal Deodoro (52,60%), Porto Calvo (53,73%), Matriz de Camaragibe (54,94%) e Japaratinga (53,55%).
No Maranhão, foram seis municípios. Entre eles estão importantes centros econômicos do estado. Em Imperatriz, Flávio recebeu 53,16%; em Açailândia, 55,92%; e em Balsas, 55,46%. O maior percentual ocorreu em São Pedro dos Crentes, com 65,15% contra 31,43% de Lula.
Na Bahia, Lula venceu em 413 dos 417 municípios, mas Flávio ficou em primeiro lugar em quatro: Luís Eduardo Magalhães, Buerarema, Itamaraju e Teixeira de Freitas.
O caso de Luís Eduardo Magalhães é especialmente expressivo. Localizado no oeste baiano e fortemente ligado ao agronegócio, o município deu 62,03% dos votos a Flávio, contra 32,51% para Lula. O mais chamativo é que mesmo Lula ganhando em praticamente 100% das cidades, Flávio teve um crescimento de quase meio milhão de votos no estado.
Em Pernambuco, estado natal de Lula, Flávio venceu em Santa Cruz do Capibaribe, com 52,71%. Mesmo assim, Lula saiu do 3.558.322 (65,27%) em 2022 para 3.553.971 (63,45%) em 2026. Menos 4.351 votos. Já Flávio saiu dos 1.630.938 (29,91%) do pai em 2022 para 1.738.043 (31,03%) em 2026. Aumento de 107.105 votos.
No Ceará, Flávio venceu em Morrinhos por margem estreita: 7.387 votos contra 7.275 de Lula, diferença de apenas 112 votos. Porem no estado, como já descrito no texto, teve o maior percentual de aumento de votos no estado do Nordeste.
No Rio Grande do Norte, Flávio ficou na frente em Parnamirim, com 50,92%, e em Galinhos, com 48,34%.
Paraíba, Piauí e Sergipe foram os únicos estados nordestinos em que Lula venceu em todos os municípios.
Nordeste continua lulista, mas não é eleitoralmente uniforme
Os números sustentam a conclusão de que o Nordeste continua sendo a principal base eleitoral de Lula. Mas também mostram que o eleitorado mudou em relação à eleição de 2022 e, principalmente, que maioria não é sinônimo de unanimidade.
Também não se pode afirmar que o crescimento de Flávio representa uma transferência direta de eleitores de Lula. Parte dos novos votos pode ter vindo do crescimento do eleitorado [novos eleitores], de mudanças no comparecimento ou de pessoas que, em 2022, escolheram outros candidatos.
O certo é que o bolsonarismo passou de 26,97% para 30,85% dos votos válidos no Nordeste entre 2022 e 2026. Lula, por sua vez, perdeu participação percentual nos nove estados. E isso conta muito, certo, extremistas?
Há ainda diferenças internas importantes. Os resultado apontam crescimento mais acentuado do bolsonarismo em áreas ligadas à expansão do agronegócio, especialmente no chamado Matopiba, que compreende áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia onde, teoricamente, os eleitores vivem do trabalho e produção do agro.
Os 10,4 milhões de votos recebidos por Flávio Bolsonaro no Nordeste, as 30 cidades em que derrotou Lula e o crescimento de 1,61 milhão de votos em relação a Jair Bolsonaro em 2022 mostram a existência de um eleitorado bolsonarista expressivo e em expansão dentro da região.
Lula continua sendo, com larga vantagem, a principal força presidencial no Nordeste. Mas os números de 2026 indicam que, eleitoralmente, o Nordeste está longe de ser um bloco político uniforme. Quem olha para os 63,77% de Lula e simplesmente carimba mais de 43 milhões de eleitores como “lulistas” não está analisando uma eleição; está apagando milhões de pessoas que pensam e votam de maneira diferente.
COMPARATIVO COM O CENTRO-SUL
Lula também tem milhões de votos fora do Nordeste
Se os resultados mostram que é incorreto tratar o Nordeste como uma região em que “todo mundo vota em Lula”, o mesmo raciocínio precisa ser aplicado ao restante do país.
Sul, Sudeste e Centro-Oeste deram maioria a Flávio Bolsonaro no primeiro turno de 2026. Isso, porém, está longe de significar que seus eleitores tenham votado de maneira uniforme.
Na verdade, Lula perdeu força nessas três regiões em comparação com 2022. Mas calma aí, que vamos explicar.
No Sudeste, sua votação caiu de 21.037.094 para 19.237.398 votos, redução de quase 1,8 milhão. No Sul, regrediu de 6.449.380 para 5.476.524, perda de 972.856 votos. No Centro-Oeste, caiu de 3.326.328 para 2.963.043, redução de 363.285.
Ainda assim, somadas as três regiões, Lula recebeu aproximadamente 27,7 milhões de votos no chamado Centro-Sul do país. O número é, inclusive, superior aos 21,5 milhões de votos que o próprio Lula recebeu no Nordeste. Bastava que essas três regiões tivessem votado 100% contra Lula e o Nordeste teria peso zero na eleição. Isso é impossível na prática, claro, mas a hipótese serve para desmontar esse discurso divisório de que o candidato A ou B não venceu “por causa do Nordeste”. Não é verdade.
A Região Sudeste é o exemplo mais claro e cristalino. Embora Flávio Bolsonaro tenha vencido nos quatro estados da região, Lula recebeu 9.505.413 votos em São Paulo, 5.188.936 em Minas Gerais, 3.693.021 no Rio de Janeiro e 850.028 no Espírito Santo. Portanto, Lula recebeu 19.237.398 votos somente nos quatro estados do Sudeste.
Só São Paulo e Minas Gerais entregaram a Lula quase 14,7 milhões de votos.
Então, antes de alguém apontar o dedo para o Nordeste e dizer que “foram os nordestinos que elegeram Lula”, talvez seja melhor pegar uma calculadora. Milhões de votos que sustentam a candidatura petista e impediram vitória do Flávio logo no primeiro turno, saíram justamente de estados que alguns teimam em culpar o Nordeste.
E há mais diferenças importantes quando se desce do mapa estadual para o municipal.
No estado de São Paulo, Flávio venceu em 606 dos 645 municípios, mas Lula terminou em primeiro lugar em 39. Entre eles estão justamente a maior cidade do país, São Paulo, além de Diadema, São Bernardo do Campo, Mauá, Taboão da Serra, Embu das Artes e Carapicuíba.
Na capital paulista, Lula recebeu 3.052.349 votos, contra 2.760.747 de Flávio Bolsonaro. Por que não foi unanimidade, paulistanos/bandeirantes?
Minas Gerais também apresenta um mapa interno dividido. Flávio venceu o estado com 48,24%, contra 43,33% de Lula, mas o petista manteve forte presença especialmente no Norte mineiro e nos vales do Jequitinhonha e Mucuri. Na Região Central de Minas, que inclui a Grande Belo Horizonte, Lula venceu em 86 municípios, contra 71 de Flávio.
No Sul do Brasil, onde Flávio abriu vantagem superior a 5 milhões de votos, Lula ainda recebeu 5.476.524 votos.
No Paraná, por exemplo, Flávio venceu em 350 dos 399 municípios, mas Lula foi o mais votado em 49 cidades, entre elas Pinhão, Jardim Olinda, Inajá, Godoy Moreira, Cerro Azul e Boa Ventura de São Roque.
No Rio Grande do Sul, Lula venceu em 42 municípios, apesar de Flávio ter levado em 455. Entre as cidades gaúchas onde Lula terminou na frente estão, acredite, Porto Alegre, o maior colégio eleitoral, além de Rio Grande, Herval, Redentora, Candiota e Pinheiro Machado.
Porto Alegre é particularmente simbólica, pois mesmo estando em um estado no qual Flávio Bolsonaro recebeu 55,64% dos votos válidos, a capital gaúcha deu 377.252 votos a Lula, contra 325.139 a Flávio.
Até no Centro-Oeste, região em que Flávio teve seu domínio mais amplo, existem municípios de maioria lulista.
Em Mato Grosso, Lula venceu em nove municípios, entre eles Alto Paraguai, Barão de Melgaço, Campinápolis, Jangada, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Ponte Branca, Porto Estrela e Santo Antônio do Leverger.
No Mato Grosso do Sul, Lula foi o mais votado em seis cidades: Miranda, Dois Irmãos do Buriti, Vicentina, Japorã, Tacuru e Paranhos.
Portanto, assim como existem milhões de lulistas no Nordeste, também existem outros milhões deles no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Do mesmo modo, existem milhões de bolsonaristas no Nordeste. Parece óbvio, mas o nível da discussão política brasileira chegou a um ponto em que o óbvio precisa ser demonstrado.
NORDESTE FORA DO MAPA
A disputa ideológica vazia de quem pensa pouco, e isso vale para os dois lados, já chegou ao absurdo de sugerir que o Nordeste vire um país separado. Assim, a “direita” venceria facilmente todas as eleições? Não. Além de a ideia ser absurda do ponto de vista nacional, a matemática eleitoral também derruba a fantasia de que o Nordeste decide sozinho quem será presidente do Brasil.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil chegou às eleições de 2026 com cerca de 158,7 milhões de eleitores.
O Nordeste possui 43.529.845 eleitores, equivalentes a 27,42% do eleitorado brasileiro.
Já o Sudeste possui 66.329.375 eleitores; o Sul, 22.861.012; e o Centro-Oeste, 11.997.001.
Somadas, essas três regiões reúnem 101.187.388 eleitores.
Isso significa que o chamado Centro-Sul possui aproximadamente 2,3 vezes o eleitorado de todo o Nordeste.
Mesmo numa situação hipotética e impossível na prática, em que os 43,5 milhões de eleitores nordestinos votassem no mesmo candidato [Lula], o Nordeste, sozinho, não teria eleitores suficientes para formar maioria nacional.
O presidente Lula recebeu 21,49 milhões de votos no Nordeste. Mas recebeu outros 19,24 milhões no Sudeste, 5,48 milhões no Sul e 2,96 milhões no Centro-Oeste. Somente nessas três regiões do Centro-Sul, Lula recebeu aproximadamente 27,7 milhões de votos, cerca de 6,2 milhões a mais do que recebeu em todo o Nordeste.
É justamente aqui que a tese de que “o Nordeste elege Lula” perde sustentação matemática. Lula recebeu mais votos no conjunto formado por Sudeste, Sul e Centro-Oeste do que recebeu no próprio Nordeste. O Nordeste lhe deu a maior vantagem proporcional e eleitoral, mas seus votos fazem parte de uma soma nacional. Presidente da República não é eleito por região; é eleito pela soma dos votos dos brasileiros.
O inverso também é verdadeiro.
Flávio recebeu 10,4 milhões de votos no Nordeste. Portanto, uma parcela relevante de sua votação nacional veio justamente da região que alguns extremistas gostam de tratar como “separatista”. Se não fosse o Nordeste para Flávio, ele já estaria derrotado no primeiro turno. Viu, extrema direita “sulista”?
Talvez esteja na hora de parte do brasileiro tomar vergonha na cara e parar de transformar eleição em pretexto para atacar região, sotaque, origem ou povo. Divergência política faz parte da democracia. O mais é só balela travestida de vontade de mudança, de análise política [sem sabe nem o conceito de política] e principalmente: falta do que fazer [trabalho].
Eleições nacionais não são decididas por uma única região
Os mapas eleitorais são úteis para mostrar onde cada candidato possui maior força. O problema surge quando as cores de um mapa são interpretadas como se representassem unanimidade.
Um estado aparecer no mapa com a cor de determinado candidato significa apenas que aquele candidato recebeu mais votos naquele território. Não significa que todos, ou mesmo quase todos, tenham votado nele. E duas palavras precisam ser entendidas pelos dois lados: respeito e democracia.
São Paulo deu vitória estadual a Flávio Bolsonaro, mas entregou 9,5 milhões de votos a Lula. O Paraná deu quase 60% dos votos a Flávio, mas mais de 2 milhões de paranaenses votaram em Lula. O Rio Grande do Sul deu vitória ao candidato do PL, mas quase 2,3 milhões votaram no petista.
Da mesma maneira, o Piauí deu 70,99% a Lula, mas 517 mil piauienses votaram em Flávio Bolsonaro. A Bahia deu 66,17% a Lula, enquanto 2,44 milhões de baianos escolheram Flávio. E não são ricos, nem são jumentos, nem gado: são gente que pensam diferentes de você.
É tão errado olhar para o Nordeste, para o Piauí... E concluir que todos são lulistas quanto olhar para o Paraná e concluir que todo paranaense é bolsonarista, morista. Isso não é ciência política, não é geografia eleitoral e muito menos respeito à democracia. É apenas uma maneira burra de tentar encaixar milhões de pessoas diferentes dentro de duas ideologias vagas e estúpidas, que veem progresso social e vida digna de uma nação em cores, que veem Deus em um ex-presidiário ou em um atual presidiário.
Nem Lula depende exclusivamente de nordestinos, nem Flávio depende exclusivamente de sulistas, sudestinos ou centro-oestinos. Eles dependem do brasileiro. E o pais é dividido em 5 regiões, em dois hemisférios e várias cores, sotaques, ritmos musicais, culturas diferentes, religiões, culinária, e tantos outros.
A eleição nacional é decidida justamente pelo encontro desses milhões de votos espalhados por centenas, milhares de situações, município por município e eleitor por eleitor, mostrando um Brasil plural, gigante, onde as ideologias vazias precisam desaparecer.
No fim das contas, talvez a maior lição desses números seja a mais simples de todas: o Brasil não precisa ser separado. Precisa, isso sim, aprender a conviver com o fato elementar de uma democracia: o vizinho, o município, o estado e a região têm o direito de votar diferente e em quem quiser.
Quem ganha uma eleição presidencial ganha com votos de brasileiros de todas as regiões. Quem perde também perdeu votos, ou deixou de conquistá-los, em todas elas. Culpar nordestinos, sulistas ou qualquer outro povo por um resultado nacional é intelectualmente preguiçoso, matematicamente frágil e socialmente irresponsável.
O mapa pode até ser pintado de duas cores. MAS O BRASIL NÃO CABE EM NENHUMA DELAS.



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