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  19:47

Facções voltam a espalhar o terror no Ceará, expulsam moradores e cobram taxa; estado tem três das cidades mais violentas do Brasil

 Foto: Arquivo/Diário do Nordeste

Após uma tregua no período eleitoral, as facções criminosas voltaram a fazer ameaças, expulsões de moradores e intimidação de comerciantes no estado do Ceará. Nas últimas semanas, pelo menos três municípios registraram ações de grupos armados que tentam impor suas próprias regras à população, já que o estado não faz. Em muros de residências e estabelecimentos comerciais, uma mensagem resume o clima de medo: "24 horas para sair".

Os episódios reacendem uma a discussões que polarizou a disputa eleitoral no estado: a violência e o avanço das organizações criminosas. Durante a campanha, a segurança pública esteve entre os temas debatidos pelos candidatos, especialmente diante dos indicadores que colocaram o Ceará em posição preocupante no cenário nacional.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, com dados referentes a 2025, o Ceará concentra três das dez cidades com maiores taxas de mortes violentas intencionais do Brasil, entre municípios com mais de 100 mil habitantes.

Maranguape aparece na primeira posição nacional, com 100,3 mortes por 100 mil habitantes, índice mais de cinco vezes superior à média brasileira, de 19,1. Maracanaú ocupa a terceira colocação, com 80,7 mortes, enquanto Caucaia aparece em sétimo lugar, com taxa de 66,6. Todas as 10 cidades mais violentas do Brasil estão no Nordeste, a maioria no Ceará e na Bahia.

Criminosos expulsam moradores e ameaçam empresas

Os casos recentes foram registrados em Fortaleza, Groaíras e Alcântaras. Na Capital, moradores do bairro Cajazeiras foram ameaçados e obrigados a deixar suas residências em meio à disputa territorial entre o Comando Vermelho (CV) e a organização criminosa Massa Carcerária/Tudo Neutro (TDN).

Uma das investigadas é Carla Germana Sales, conhecida como "Bibi Perigosa", apontada como liderança da facção Massa. Ela foi presa na última quinta-feira (22), suspeita de ordenar expulsões de moradores.

Segundo as investigações, duas vítimas teriam sido pressionadas a alugar parte do imóvel para pessoas ligadas à organização criminosa. Após a recusa, criminosos efetuaram disparos contra a residência e picharam no muro a ordem para que os moradores deixassem o local em 24 horas.

A suspeita negou as acusações, mas teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

Provedores de internet também são alvos

No município de Groaíras, na região Norte do Ceará, criminosos utilizaram a mesma estratégia para ameaçar um provedor de internet. Antes da pichação, uma funcionária teria sido abordada por integrantes de uma facção, que exigiram contato com o proprietário da empresa.

Em Alcântaras, também no Norte do estado, estabelecimentos do setor receberam ameaças semelhantes. Os criminosos determinaram prazo de 24 horas para o encerramento das atividades, sob ameaça de incendiar os imóveis.

A Polícia Civil investiga os episódios, enquanto a Polícia Militar reforçou o policiamento nas áreas atingidas.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), desde julho de 2025, 100 suspeitos de envolvimento em ataques a provedores de internet foram presos, entre flagrantes e cumprimento de mandados judiciais.

Fonte: Diariodonordeste

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