O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, chegou ao 21º dia neste sábado (24) e provocou uma mudança significativa na condução das buscas em Bacabal (MA). Após o depoimento da única criança localizada, o primo de 8 anos, e diante da falta de novos vestígios nas áreas já examinadas, a polícia decidiu ajustar a estratégia.
Depois de percorrer amplas regiões de mata, rio e áreas rurais sem encontrar novas pistas, as forças de segurança informaram que as buscas serão reduzidas, enquanto a linha investigativa passará a ser priorizada. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes seguirão de prontidão e poderão retomar as incursões de forma direcionada, caso surjam elementos concretos.
Apesar da redução geral da operação, a varredura no rio Mearim continua, e grupos especializados seguem mobilizados para possíveis ações pontuais tanto na mata quanto em áreas alagadas.
➡️ Para aumentar o alcance da procura, permanece ativo o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil. O sistema envia alertas emergenciais sobre desaparecimentos infantis por meio das plataformas da Meta, ampliando a divulgação das imagens das crianças em até 200 km de distância do ponto inicial do caso. “O programa amplia muito a possibilidade de localização”, destacou o secretário.
Depoimento do primo redefine o rumo das buscas
Com autorização da Justiça, o menino de 8 anos — encontrado após três dias perdido na mata — passou a auxiliar diretamente os trabalhos. Ele recebeu alta hospitalar na terça-feira (20), após duas semanas internado, e no mesmo dia acompanhou equipes ao local onde percorreu o trajeto com os primos.
O garoto indicou os últimos caminhos que fez com Ágatha e Allan até ser encontrado por carroceiros em 7 de janeiro. Suas informações ajudaram a polícia a reconstruir parte da rota dentro da mata e a esclarecer o momento em que ocorreram a separação e a desorientação do grupo.
Ele relatou que pretendiam sair para buscar um pé de maracujá perto da casa do pai, mas para não serem vistos por um tio, escolheram um trecho diferente da mata. A partir daí, perderam a referência. O menino afirmou que não havia nenhum adulto com eles e que o grupo não encontrou alimentos durante o trajeto.
O menor está sob acompanhamento psicológico e protegido por uma rede que busca evitar exposição e assédio.
A “casa caída” e a separação das crianças
Um dos pontos decisivos do depoimento foi a referência a uma casa abandonada no meio da mata, descrita como “uma casa caída”, com objetos velhos espalhados, como uma cadeira, botas e um colchão. A informação foi confirmada pelos investigadores e pelos cães farejadores, que detectaram cheiro dos três no local.
Segundo o relato, as crianças chegaram a se abrigar aos pés de uma árvore próxima à construção. Foi ali que teriam se separado: o menino seguiu por um caminho e os dois irmãos por outro, momento decisivo para o desaparecimento.
O secretário estadual de Segurança, Maurício Martins, afirmou que o relato do menino coincide com o que foi identificado pelos cães: “Os farejadores detectaram o odor das três crianças da forma como o garoto descreveu.”

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