A chefe do Cartório Eleitoral de Piripiri, Lucimeire Barroso, foi exonerada da função nesta quarta-feira (28), após compartilhar nas redes sociais uma publicação de uma influenciadora que defendia o boicote a estabelecimentos comerciais e a demissão de trabalhadores identificados com o Partido dos Trabalhadores (PT).
Em manifestação à páginas da instagram de Piripiri, Lucimeire se defendeu e destacou que não é a única pessoa a expressar opiniões políticas nas redes sociais. Segundo ela, o compartilhamento ocorreu em seu perfil pessoal, fora do horário de expediente, sem qualquer relação com o exercício de suas atividades na Justiça Eleitoral.
A servidora também lamentou que o episódio esteja sendo utilizado para tentar manchar uma história de mais de 20 anos de serviços prestados, período em que, segundo afirmou, nunca cometeu qualquer ato falho no desempenho de suas funções.
A publicação que provocou a exoneração
A polêmica começou depois que Lucimeire compartilhou uma postagem de uma influenciadora que incentivava o rompimento de relações comerciais e profissionais com pessoas identificadas com o PT.
Entre as orientações, a publicação sugeria que quem tivesse uma empregada doméstica petista deveria dispensá-la. Também defendia a demissão de funcionários com essa preferência política e o boicote a marcas e estabelecimentos comerciais ligados a apoiadores do partido.
Ao compartilhar o conteúdo, Lucimeire acrescentou a frase: "Não dou nem água".
A repercussão levou o caso ao Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), que decidiu afastá-la da chefia do cartório.
TRE-PI determina exoneração e anuncia investigação
A exoneração foi confirmada pelo presidente do TRE-PI, desembargador José Wilson Ferreira, que explicou que os servidores da Justiça Eleitoral estão sujeitos a regras específicas de neutralidade político-partidária.
Segundo o magistrado, em entreista a TV Clube, embora todos tenham direito às suas convicções políticas, existem restrições à manifestação pública dessas preferências por servidores da Justiça Eleitoral.
O desembargador explicou que a exoneração ocorreu porque Lucimeire ocupava uma função de confiança vinculada à Presidência do tribunal.
Entretanto, ressaltou que a medida não significa que a servidora já tenha sido considerada culpada de alguma infração disciplinar.
O caso será analisado pela Corregedoria Regional Eleitoral por meio de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), no qual Lucimeire terá direito ao contraditório e à ampla defesa.
Com a decisão, ela deixa a função de chefia do Cartório Eleitoral de Piripiri, enquanto o procedimento administrativo deverá apurar as circunstâncias da publicação.


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