Apenas dois dias depois do segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo (25), os governos estaduais aprovaram um novo aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre gasolina, óleo diesel e gás de cozinha. A decisão foi tomada na terça-feira (27), por meio do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), e oficializada nesta quarta-feira (28), com publicação no Diário Oficial da União.
O reajuste entrará em vigor no dia 1º de fevereiro de 2027 e atingirá consumidores de todos os 26 estados e do Distrito Federal. A decisão chama atenção especialmente pelo momento político: 13 governadores conseguiram a reeleição e continuarão à frente de seus estados pelos próximos quatro anos, enquanto outros grupos políticos conseguiram manter o poder por meio da eleição de sucessores.
Veja quanto vai aumentar o imposto

No caso do gás de cozinha, o aumento representa R$ 0,91 a mais de imposto por botijão de 13 quilos. O diesel terá a maior elevação proporcional, com potencial de pressionar os custos do transporte de passageiros, fretes e mercadorias.
O aumento do tributo, entretanto, não significa necessariamente que os preços finais subirão na mesma proporção, pois isso dependerá do repasse ao consumidor.
Poucos podem culpar o adversário: Maioria dos governadores que disputaram a reeleição saiu vitoriosa
O levantamento eleitoral mostra que 13 governadores em exercício foram reeleitos, sendo 11 no primeiro turno e dois no segundo. Entre eles estão Rafael Fonteles (PT), no Piauí; Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo; Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Elmano de Freitas (PT), no Ceará; e Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina.
Outros grupos políticos também conseguiram eleger sucessores. No Rio Grande do Norte, por exemplo, Cadu de Lula (PT) venceu a disputa e manterá o partido no comando do estado, sucedendo Fátima Bezerra (PT). Em Goiás, Daniel Vilela (MDB), que assumiu o governo após a saída de Ronaldo Caiado, venceu a eleição e garantiu a continuidade do grupo político no poder.
Na Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), sucessor de João Azevêdo, também venceu a disputa. Esses três casos representam exemplos de continuidade política por meio de sucessores, além dos 13 governadores reeleitos. Não há, porém, um levantamento nacional consolidado que permita afirmar que sejam os únicos sucessores eleitos.

Estados justificam reajuste com lei de 2022, que pode ser revogada
O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) usou como argumento para o aumento as regras da Lei Complementar nº 192/2022 (que pode ser revogada) que estabelece a cobrança do ICMS sobre combustíveis em valores fixos por litro ou quilo. A atualização considera a variação dos preços médios divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Apesar da coincidência com o encerramento das eleições, não há evidências de que a decisão tenha sido adiada deliberadamente por motivos eleitorais. O fato concreto é que a aprovação ocorreu apenas 48 horas depois do segundo turno, quando boa parte dos governadores já havia assegurado a permanência no poder.
O novo reajuste será aplicado em fevereiro de 2027, quando os governadores eleitos já estarão empossados.


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