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  18:26

PT já incentivou boicote a empresas por ideologia e agora enfrenta reação contra apoiadores

 Foto: Fernando Bizerra Jr./EFE

A polarização política no Brasil ganhou novos contornos após a eleição presidencial de 2026. Campanhas nas redes sociais incentivam o boicote a estabelecimentos comerciais ligados a petistas, enquanto algumas manifestações chegam ao extremo de sugerir a demissão de funcionários por suas escolhas eleitorais.

A reação provocou indignação no PT, que passou a denunciar perseguição política. Entretanto, o partido não pode esquecer que essa mesma bizarrice de boicote ideológico já foi incentivada por integrantes de seu próprio governo.

Um dos exemplos mais emblemáticos aconteceu em 17 de janeiro de 2023, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que brasileiros haviam deixado de consumir produtos de empresas associadas ao governo Bolsonaro, derrotado nas eleições de 2022.

Haddad foi ainda mais enfático ao declarar que "Eu não compro nem um palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromisso com essas questões." Petistas podem argumentar que a fala está descontextualizada, uma vez que o ministro se referia a pautas ambientais, sociais e democráticas, utilizando o consumo como instrumento de pressão sobre empresas.Mas, na prárica, a pauta era castigar ideologicamente de quem pensa diferente e havia apoiado o governo anterior. 

CAMPANHA CONTRA MASCAS

Durante o governo Bolsonaro, setores da esquerda também promoveram campanhas de boicote contra marcas, empresários e anunciantes identificados com o então presidente.

Em março de 2020, campanhas nas redes sociais incentivaram o boicote a marcas como Havan, Riachuelo, Centauro, Smart Fit, Bio Ritmo, Coco Bambu, Madero e Polishop, cujos proprietários ou sócios eram associados ao apoio a Bolsonaro. Em 2022, novas listas incluíram empresas como Mormaii, Multiplan e Tecnisa. A própria Central Única dos Trabalhadores (CUT), historicamente ligada ao PT, divulgou reportagem sobre o movimento.

Agora, quando comerciantes e trabalhadores ligados ao PT passam a sofrer pressões semelhantes, o partido e a grande mídia condenam uma prática que seus próprios representantes já defenderam. É abominável, sim, mas não se pode fingir que esse movimento ridículo não foi iniciado pelos próprios petistas.

O Brasil colhe hoje os frutos de uma polarização alimentada por diferentes forças políticas há décadas, inclusive pelo próprio PT, e intensificada por muitos deles, ex-petistas que viraram bolsonaristas. A intolerância, uma vez estimulada, não escolhe permanentemente um único lado.

O que hoje atinge os petistas também é consequência de uma política de divisão que o próprio partido ajudou a plantar.

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